CBE JU 2026: €170,7M para Bioeconomia Industrial

CBE JU 2026: €170,7M para Bioeconomia Industrial

A maior call europeia dedicada a biorrefinarías, biotecnologia industrial e soluções bio-based em TRL 6-8. Abertura: 23 de abril de 2026. Financiamento até €20M por projeto flagship. Candidaturas por consórcio.


Contexto e Objetivo

A Circular Bio-based Europe Joint Undertaking (CBE JU) publicou o seu Programa de Trabalho 2026, disponibilizando €170,7 milhões para 13 tópicos estratégicos focados em elevados níveis de maturidade tecnológica. Esta call é a expressão operacional da atualizada Estratégia de Bioeconomia da UE (dezembro 2024) e da iniciativa Biotechnology and Biomanufacturing da Comissão Europeia.

Porquê agora: A Europa enfrenta competição global acelerada. A China prioriza bioengenharia integrada com IA no seu 15º Plano Quinquenal. O Reino Unido classificou a biologia de engenharia como “indústria de fronteira” com reforma regulatória dedicada. A resposta europeia passa por acelerar o deployment de biorrefinarías first-of-their-kind e escalar tecnologias comprovadas até maturidade industrial.

Esta call difere de programas tradicionais de I&I: o foco está em demonstração industrial (TRL 6-8), não em investigação de laboratório. O objetivo é colocar soluções bio-based competitivas no mercado, reduzir a dependência de matérias-primas fósseis, e posicionar a Europa como líder global em biotecnologia industrial e biomanufatura.


Informações Principais

Abertura da call 23 de abril de 2026
Encerramento 22 de setembro de 2026 às 17h00 (hora de Bruxelas)
Dotação total €170.700.000
Número de tópicos 13 (4 Flagships | 5 Innovation Actions | 3 Research Actions | 1 CSA)
TRL alvo Flagships: TRL 8 | IAs: TRL 6-7 | RIAs: TRL 4-5
Contribuição típica por projeto Flagships: ~€20M | IAs: ~€7M | RIAs: ~€3,25M
Formato Consórcio (mínimo 3 entidades de 3 países diferentes)
Info Day 12 de março de 2026 (online)
Evento de networking 21 de abril de 2026 (Bruxelas)
Plataforma de submissão EU Funding & Tenders Portal
Programa Horizon Europe (CBE JU Partnership)

Prazo de 5 meses para preparação. Candidaturas exigem consórcios estruturados, business plans detalhados (Flagships), e demonstração de viabilidade técnico-económica. Networking antecipado é crítico para identificação de parceiros complementares.


Quem Pode Candidatar-se

Qualquer entidade legal estabelecida num Estado-Membro da UE ou país associado ao Horizonte Europa pode participar em consórcios CBE JU:

  • Empresas: PME, grandes empresas, start-ups, scale-ups (todos os setores)
  • Centros de investigação e universidades
  • Organizações sectoriais e associações empresariais
  • Entidades públicas: municípios, entidades de gestão de resíduos, agências regionais
  • Produtores primários: cooperativas agrícolas, florestais, aquícolas

Requisitos de Consórcio

Cada proposta deve incluir, no mínimo:

  • 3 entidades independentes
  • Estabelecidas em 3 países diferentes (Estados-Membros UE ou países associados)
  • Participação industrial relevante: empresas que demonstrem capacidade de deployment

Abordagem multi-actor obrigatória: Todos os projetos devem envolver atores relevantes ao longo da cadeia de valor: desde fornecedores de matéria-prima (produtores primários, gestores de resíduos) até utilizadores finais (fabricantes, consumidores). Esta abordagem garante que as inovações são demand-driven e têm pathway real para mercado.

Origem da Matéria-Prima: Requisito Crítico

Para reforçar a resiliência, autonomia estratégica e competitividade da UE, todos os projetos devem:

  • Utilizar biomassa produzida ou gerada na UE/países associados (não se aplica a amostras limitadas para testes)
  • Explicar como contribuem para fortalecer cadeias de valor bio-based europeias
  • Demonstrar que a produção de biomassa respeita limites ecológicos locais

Atenção: A biomassa importada de países terceiros não é elegível como feedstock principal para demonstração/produção, salvo amostras de validação técnica.


Os 13 Tópicos Estratégicos

Flagships (TRL 8) — €80M Total

Projetos de demonstração à escala industrial completa, first-of-their-kind no mercado europeu:

1. Boosting Biorefinery Competitiveness Through Biotech (€20M)

Biorrefinarías industriais integrando biotecnologia como tecnologia-chave para produção sustentável de químicos, intermediários, polímeros, ingredientes ou enzimas bio-based. Foco em biotech como diferenciador competitivo (fermentação, biocatálise, engenharia metabólica).

2. SSbD Bio-based Alternatives for Fertilising and/or Crop Protection Products (€20M)

Produção industrial de soluções bio-based Safe and Sustainable by Design como alternativas a fertilizantes e produtos fitofarmacêuticos sintéticos/minerais. Inclui biofertilizantes, bioestimulantes, biopesticidas. Validação agronómica em diferentes condições climáticas e tipos de solo.

3. SSbD Bio-based Solutions for Home and/or Personal Care (€20M)

Biorrefinarías para solventes, surfactantes, conservantes, agentes antimicrobianos, emolientes, polímeros e outros compostos funcionais SSbD para higiene, cosméticos e FMCG. Demonstração em formulações de produtos finais com validação de performance técnica e aceitação de consumidor.

4. Diversification of Nutritional Food Ingredient Sources (€20M)

Produção industrial de ingredientes nutricionais (proteínas, lípidos, hidratos de carbono especializados, fibras) a partir de fontes alternativas: micro-organismos, algas, resíduos industriais, fermentação. Foco em resiliência da cadeia alimentar e redução de dependências de importação.

Innovation Actions (TRL 6-7) — €70M Total

Demonstração em ambiente operacional relevante, validação técnica para scale-up posterior:

5. Biotech Routes for Valorisation of Residual Biomass (€14M — 2 projetos)

Processos biotecnológicos eficientes para conversão de biomassa residual (resíduos florestais, agrícolas, aquáticos, urbanos, industriais) em químicos, materiais, ingredientes, enzimas. Integração de pré-tratamento otimizado e processos de separação/purificação eficientes.

6. Bio-based Additives to Unlock and Increase Recyclability and/or Biodegradability (€14M — 2 projetos)

Aditivos bio-based SSbD que: (i) permitam circularidade EoL para materiais/produtos atualmente não recicláveis ou não biodegradáveis, ou (ii) melhorem condições de reciclagem/biodegradação. Teste e validação de EoL, compatibilidade com sistemas de gestão de resíduos.

7. Bio-based Chemicals and/or Materials from Woody Residues (€14M — 2 projetos)

Valorização de resíduos lenhosos (casca, serradura, resíduos de colheita florestal) através de tecnologias inovadoras e escaláveis para químicos e materiais bio-based. Eco-design para EoL sustentável. Otimização de logística de fornecimento.

8. High-Performance, Circular-by-Design Bio-based Thermosets (€14M — 2 projetos)

Materiais termoendurecíveis bio-based com elevada performance técnica (propriedades mecânicas, resistência térmica, resistência ao fogo, durabilidade) e circularidade integrada por design. Aplicação em produtos finais exigentes (transporte, energia, eletrónica). Teste de alternativas EoL.

9. Films and Coatings for Circular Packaging (€14M — 2 projetos)

Filmes e revestimentos bio-based para embalagens alimentares e não-alimentares. Foco em propriedades de barreira (oxigénio, humidade, gordura), compatibilidade com processos de fabrico industrial, printabilidade, durabilidade. Eco-design para EoL circular (reciclagem mecânica/química/enzimática, compostagem).

Research and Innovation Actions (TRL 4-5) — €6,5M Total

Investigação aplicada para resolver desafios técnicos fundamentais:

10. Addressing Separation and Purification Challenges in Biorefineries (€6,5M — 2 projetos)

Tecnologias inovadoras de separação e purificação (downstream processing) para biorrefinarías: métodos mais eficientes, económicos e sustentáveis para isolar e purificar compostos bio-based de misturas complexas.

11. SSbD Bio-based Polymers from Alternative Sources (€6,5M — 2 projetos)

Polímeros bio-based SSbD a partir de fontes alternativas (não-alimentares): resíduos, CO₂, biomassa aquática. Desenvolvimento até TRL 5 com validação preliminar de propriedades e potencial de mercado.

12. Breakthrough Sustainable Bio-based Textile Fibres (€6,5M — 2 projetos)

Fibras têxteis bio-based inovadoras (fibras artificiais modificadas ou fibras sintéticas) com performance superior e sustentabilidade melhorada face a benchmarks. Processabilidade industrial, durabilidade, conforto, EoL sustentável.

Coordination and Support Action — Montante variável

13. Supporting Industry in the Switch to Sustainable and Circular Bio-based Products and Processes

Ação de coordenação para apoiar a indústria na transição para produtos e processos bio-based sustentáveis e circulares. Estruturação de comunidades de stakeholders, disseminação de conhecimento, exploração de sinergias, identificação de barreiras regulatórias.


Requisitos Transversais Obrigatórios

Avaliação de Performance Ambiental

Todos os projetos RIA e IA (incluindo Flagships) devem incluir:

  • Avaliação ex-ante: Estimativa prévia de performance ambiental (contribuição para neutralidade climática, eficiência de recursos, zero poluição, circularidade) comparada com benchmark(s) relevantes
  • Avaliação ex-post:
    • RIAs: Task dedicada para avaliar melhorias potenciais usando dados early-stage
    • IAs e Flagships: Work package ou task dedicada com Life Cycle Sustainability Assessment (LCSA) completa

Safe and Sustainable by Design (SSbD)

Projetos que desenvolvam químicos, materiais ou produtos devem aplicar o framework SSbD da Comissão Europeia, assegurando que as soluções são seguras para saúde humana e ambiente ao longo de todo o ciclo de vida.

Business Case e Business Plan

Tipo de Ação Requisito
RIAs Business case qualitativo (critérios técnicos, económicos, mercado, sociais, ambientais, regulatórios)
IAs Business case quantificado + business model proposto + estimativa de indicadores económicos
Flagships Business plan detalhado (anexo separado) incluindo NPV, pressupostos críticos justificados (dimensão de mercado, taxa de penetração, receitas, CAPEX/OPEX, níveis de pessoal, fontes de financiamento)

Impacto Socioeconómico (IAs e Flagships)

Demonstração de criação e distribuição de valor socioeconómico ao longo de toda a cadeia: criação de emprego, crescimento económico, desenvolvimento territorial, incluindo nas áreas de produção de biomassa.

⚠️ Requisito DNSH: Nenhum projeto pode incluir atividades que causem danos ambientais significativos. Excluídos: combustíveis fósseis, aterros, incineradoras, atividades que violem princípios de economia circular ou causem poluição.


Processo de Avaliação e Seleção

Critérios de Avaliação

Cada proposta é avaliada por painéis de peritos independentes em três critérios:

Critério O Que É Avaliado Pontuação
Excellence Qualidade técnico-científica do conceito, metodologia, inovação face ao estado da arte, credibilidade da abordagem 0-5
Impact Contribuição para objetivos CBE JU e políticas EU, pathway para mercado, escalabilidade, impacto ambiental/social/económico, disseminação 0-5
Implementation Qualidade do consórcio, competências complementares, governação do projeto, gestão de riscos, viabilidade do plano de trabalho e orçamento 0-5

Limiar de aprovação: Pontuação mínima de 3,0/5,0 em cada critério individualmente E pontuação global mínima (tipicamente 10/15 ou 12/15 conforme tópico). Propostas abaixo destes limiares são rejeitadas independentemente da qualidade noutras dimensões.

Timeline de Avaliação

Fecho da call 22 setembro 2026
Avaliação por peritos Outubro 2026 – Janeiro 2027 (~3-4 meses)
Notificação de resultados Fevereiro 2027
Negociação de grant agreements Março – Junho 2027
Arranque esperado dos projetos Junho – Setembro 2027

Nota crítica: Pedidos de esclarecimento durante avaliação são comuns. Propostas tecnicamente robustas e bem fundamentadas minimizam este risco e aceleram aprovação.


Porquê Apoio Especializado

Candidaturas CBE JU exigem três competências críticas raramente concentradas numa única organização:

1. Construção de Consórcio Estratégico

Identificar e alinhar parceiros complementares ao longo da cadeia de valor: produtores de biomassa, tecnólogos, industriais com capacidade de scale-up, utilizadores finais, centros de investigação. O consórcio deve demonstrar capacidades técnicas credíveis E pathway realista para deployment comercial.

2. Fundamentação Técnico-Científica

Demonstrar state-of-the-art atual, gap de inovação, superioridade técnica da solução proposta, viabilidade de scale-up, performance ambiental comparativa (LCSA), conformidade SSbD. Exige conhecimento profundo da literatura científica, standards técnicos, e benchmarks de mercado.

3. Business Case e Viabilidade Económica

Para Flagships: business plan detalhado com projeções financeiras robustas, análise de sensibilidade, estratégia de go-to-market, identificação de riscos comerciais e mitigações. Para IAs: business model credível e indicadores económicos fundamentados. Para RIAs: demonstração de potencial comercial futuro.

Realidade estatística: Taxa de sucesso típica em calls CBE JU: 15-25%. Propostas de baixa qualidade técnica, consórcios desequilibrados, ou business cases fracos são eliminadas na fase de avaliação. Investimento em preparação adequada (6-9 meses antes de deadline) maximiza probabilidade de aprovação.


Alinhamento com Políticas Europeias

A call CBE JU 2026 operacionaliza múltiplas prioridades políticas da UE:

  • Estratégia de Bioeconomia da UE (dezembro 2024): Bioeconomia como pilar de competitividade e autonomia estratégica
  • EU Biotech Act (em preparação 2025): Simplificação regulatória, sandboxes, fast-track para soluções microbianas
  • Clean Industrial Deal: Descarbonização e defossilização da indústria europeia
  • Chemical Industry Action Plan: Transição para químicos sustentáveis e seguros
  • Circular Economy Act (em preparação): Economia circular e valorização de resíduos
  • Life Sciences Strategy: Liderança europeia em biotecnologia e biomanufatura

Perspetiva de longo prazo: A bioeconomia está incluída entre as prioridades do próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034, incluindo no European Competitiveness Fund. Empresas que estruturem capacidades agora posicionam-se para acesso continuado a financiamento europeu na próxima década.


Perguntas Frequentes

Empresas portuguesas podem liderar consórcios CBE JU?

Sim. Qualquer entidade elegível pode ser coordenador de consórcio, independentemente da dimensão ou localização geográfica. O critério é capacidade técnica e experiência em gestão de projetos colaborativos. PME portuguesas com tecnologia diferenciadora e parceiros industriais credíveis são competitivas.

Como encontrar parceiros para consórcio?

CBE JU disponibiliza plataforma de networking online onde organizações publicam perfis e procuram parceiros. O Info Day (12 março) e evento de networking (21 abril) em Bruxelas são oportunidades estruturadas. Consultores especializados facilitam matchmaking baseado em complementaridades técnicas e estratégicas.

Que tipo de biomassa é elegível?

Toda a biomassa sustentável produzida na UE/países associados: agrícola, florestal, aquática (algas, resíduos de aquacultura/pesca), resíduos urbanos/industriais bio-based, CO₂ biogénico. Excluídos: biomassa que viole princípios de food-first ou cascading use, ou que cause impactos ambientais negativos (desflorestação, perda de biodiversidade, esgotamento de recursos hídricos).

É possível combinar CBE JU com outros instrumentos de financiamento?

Sim, mas sem duplo financiamento para as mesmas despesas. Possível combinar com: Portugal 2030 (para atividades complementares fora do âmbito Horizonte Europa), SIFIDE (para despesas I&D não cobertas por CBE JU), InvestEU (para financiamento de scale-up pós-projeto). Coordenação cuidadosa é essencial para compliance.

Qual a taxa de co-financiamento?

Varia por tipo de entidade e atividade: RIA e IA têm tipicamente 70% (empresas) a 100% (organismos públicos, universidades, ONG). Pequenas empresas podem ter taxas majoradas. Cada parceiro financia a sua parte não coberta. O grant agreement especifica taxas exatas por beneficiário.


Como a Aliados Pode Apoiar

A Aliados Consulting apoia empresas e organizações portuguesas na preparação estratégica de candidaturas CBE JU:

  • Análise de fit estratégico: avaliar alinhamento da tecnologia/conceito com tópicos CBE JU e requisitos de elegibilidade
  • Partner search e consortium building: identificação e articulação com parceiros técnicos e industriais complementares na Europa
  • Estruturação da proposta técnica: desenvolvimento de metodologia, work plan, gestão de riscos, conformidade com requisitos CBE JU
  • Business case e business plan: elaboração de análise económico-financeira, projeções, estratégia de mercado (crítico para Flagships e IAs)
  • Life Cycle Sustainability Assessment: coordenação com especialistas para LCSA credível e fundamentada
  • Alinhamento regulatório: verificação de conformidade SSbD, DNSH, contratação pública, disseminação open science
  • Submissão e follow-up: preparação final da proposta, submission no portal EU, gestão de pedidos de esclarecimento durante avaliação
  • Preparação para grant agreement: apoio na negociação de consortium agreement e grant agreement com Comissão Europeia

Contacto para avaliação de oportunidade:
📧 telmofernandes@aliados.consulting
🌐 aliados.consulting

Timeline recomendada: Começar preparação 6-9 meses antes de deadline (idealmente janeiro-março 2026 para submissão setembro 2026). Consórcio deve estar estruturado 4-5 meses antes de deadline. Proposta técnica em redação 2-3 meses antes. Review final e refinamento no último mês.


Vamos impactar o futuro juntos?

  • hello@aliados.consulting

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    Santo Tirso Portugal

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